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domingo, 28 de outubro de 2012

CRIANÇAS EM PERIGO NO PARAÍSO(?) JARDINS DE PETRÓPOLIS

O texto a seguir relata questão envolvendo crianças, meio ambiente, fauna silvestre, saúde pública, posse irresponsável, assassinatos, impedimento do direito de ir e vir de cidadãos, desrespeito às leis e à coletividade, omissão, impunidade e, na opinião de muitos leitores do blog, crime de prevaricação.

Criança violentada, estuprada(¹); crianças atacadas por cães; crianças em risco de serem atropeladas por veículos em alta velocidade dirigidos por moradores e visitantes do bairro. Fauna silvestre morta por cães; cães assassinados. Esses são alguns dos perigos e situações monstruosas e gravíssimas existentes e ocorridas com seres vivos no bairro Jardins de Petrópolis, residencial cujos proprietários e moradores são de classe média/média alta, sendo a grande maioria de BH, que buscam tranqüilidade e qualidade de vida junto a um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica da RMBH.

Um dos problemas mais graves diz respeito a cães. No último dia 09 de agosto, um menino de dez anos foi mordido por um cão. A mordida furou e rasgou sua perna provocando intenso sangramento. A criança foi encaminhada ao hospital e perdeu dias de aula (foto abaixo). As crianças, principalmente filhos(as) de trabalhadores das propriedades são as que mais correm perigo. Muitas têm que se deslocarem a pé, principalmente para pegarem as vans escolares, e geralmente não vão acompanhadas pelos pais, o que torna o trajeto mais perigoso (clique nas imagens para ampliá-las).







No mês de maio de 2008, uma outra criança, à época com oito anos, foi atacada por cão de proprietário solto na rua Amendoeiras. O pai, ao defender seu filho, teve sua calça e seu sapato rasgados pelo cão (reportagem ao lado). Em março de 2010, seis cães de um proprietário, todos soltos na rua Jequitibás, atacaram e mataram um cãozinho de estimação da raça Poodle Toy, de uma família de propriedade vizinha. No mês de agosto desse ano, um rapaz que foi buscar a namorada em uma propriedade foi mordido por um cão de uma diretora do condomínio, solto na rua Jequitibás. Segundo o rapaz, ele passava de moto quando o cão o atacou, mordendo seu pé e quase o derrubando da motocicleta, podendo ter causado um grave acidente. Ainda no mês de agosto, no dia 18, um caminhante foi atacado por um cão da raça Rottweiler, solto na rua Sagaranas. O caminhante só não foi ferido porque estava com um porrete que, em legítima defesa, teve que usar para conter o animal (foto abaixo).


Não sabemos mais a quem, a qual instituição recorrer para que essa questão envolvendo cães tenha fim. Vários ofícios já foram encaminhados ao condomínio, mas nenhuma providência é tomada. Um dos diretores dessa instituição, morador da rua Jacarandás, possui vários cães soltos (em torno de seis) em uma das áreas mais preservadas e ainda intocadas do residencial. A sua propriedade sequer possui cercamento, e ele sempre passeia com seus cães, todos soltos, pelas ruas do Jardins (foto abaixo).



A falta de respeito, o descaso, a afronta às leis e a certeza da impunidade são tão comuns, que um dos diretores de meio ambiente do condomínio, morador da rua Manacás, e que tem três cães que ficam soltos (sua propriedade também não possui cercamento), comentou no site dessa instituição, ironizando, que "quem se sentir incomodado com os cães soltos, que chame a carrocinha" (comentário n° 37 – ver também comentários n° 35 e 38 em  ). A ex-síndica (gestão 2008/2009) e atual diretora do condomínio, declarou no informativo dessa instituição (Ed. n° 29, pág.8, junho/2008), que “os cães soltos pelas ruas, fotografados pelo nosso “vigilante do meio ambiente”, não passam de vira-latas inofensivos dando sua passeada diária, cochilando e brincando nas nossas ruas poeirentas”. 

Há situações de impedimento do direito de ir e vir das pessoas que querem ou precisam transitar a pé, fazer caminhadas e praticar esportes. Elas estão sendo impedidas por cães soltos e ferozes. Pessoas da terceira idade, que por recomendação médica precisam fazer suas caminhadas diárias, não as estão fazendo devido ao medo de serem atacadas pelos cães. Praticantes de cooper estão tendo que correr “armados” com pedras, para se defenderem dos cães. A esposa de um caseiro, com filho recém nascido, tem sempre que passar a pé, levando o menino no colo, em frente à propriedade da diretora do condomínio, moradora da rua Jequitibás, e cujo cão solto atacou o motociclista citado no começo desse texto. Ela já afirmou várias vezes que tem medo de ser atacada pelo cão, principalmente quando está com seu filho. 

Os cães soltos são, na maioria, de moradores e proprietários de residências. A maioria é de raça e de grande porte, como Rottweilers, Pit-Bulls, entre outras. Há também cães de menor porte, mas que também incomodam, ameaçam e atacam. A situação chegou a tal ponto, está tão fora de controle, que existem casos, segundo relatos de alguns caseiros, onde proprietários e trabalhadores que se sentem ameaçados e prejudicados pelos cães soltos estão assassinando-os, por envenenamento, por estarem entrando em suas propriedades e atacando outros animais de estimação e de criação. 

Segundo um caseiro, um dos cães de sua patroa, que ficava solto, entrava em uma propriedade vizinha, atacando cabritos. O dono dos cabritos solicitou à dona do cão, várias vezes, que o mantivesse preso, inclusive ameaçando envenená-lo. Ainda segundo o caseiro, sua patroa não tomou providências, e o animal apareceu morto. E esse não foi o único caso. Em 2009, o próprio condomínio noticiou no seu informativo, o Petrofalante, de 07/08/2009, que o corpo de um cão foi encontrado, provavelmente envenenado, no dia 25 de julho daquele ano, em uma vala da rua Ipês Amarelos. Em 2010, um outro cão morto foi encontrado jogado na mata do final da rua Cedros, que é sem saída. Em 2005, um cão da raça Pit-Bull entrou em uma propriedade e matou um novilho. Tempos depois, o cão desapareceu. Um outro caseiro nos informou que soube de um rapaz que vem de motocicleta de Nova Lima trabalhar no Jardins, e que de tanto ser perseguido e ameaçado por cães que correm atrás de sua moto, começou a trazer consigo, garrafa pet com gasolina, para jogar nos cães e atear fogo. 

Outro agravante, se refere ao fato da região do Jardins ser área de preservação ambiental, com inúmeras espécies da fauna silvestre brasileira. Os cães estão afugentando e matando esses animais. Em 2004, dois cães da raça Rottweiler, soltos na rua Pinheiros, atacaram e mataram um filhote de veado mateiro, animal ameaçado de extinção. Esse é só um dos casos, e existem outros que não são divulgados. E o mais impressionante é que o superintendente do IBAMA em MG, órgão responsável pela fiscalização, defesa e proteção da fauna silvestre, é associado e ex-diretor do condomínio, e sempre teve conhecimento dessa questão dos cães soltos. Esse fato não pode ser configurado como crime de prevaricação?(²) 

O Jardins ainda possui baixa taxa de ocupação, estima-se que em torno de 15 % (dos 843 lotes, em torno de 100 possuem residências, e desse número, em torno de 40 são habitadas por moradores, e o restante, habitadas somente nos finais de semana). Ainda assim, a questão dos cães já é um caos, está fora de controle. Ficamos imaginando como será quando os 843 lotes estiverem ocupados, com mais cães, cujos proprietários não tem a posse responsável e muitos sequer fazem o cercamento de suas propriedades. O impacto ambiental causado pela população canina é enorme.  


MOTOS DE TRAIL E CÃES

Podemos comparar essa questão dos cães à questão do trânsito de motos de trail, que durante duas décadas incomodou e ameaçou moradores e impactou o meio ambiente da região do Jardins, assim como os cães estão fazendo. O condomínio, quando resolveu se empenhar para o fim do trânsito das motos, conseguiu, junto com o Ministério Público Estadual. A principal bandeira levantada foi a ambiental. O condomínio chegou a contratar empresa de segurança armada para impedir a entrada das motos de trail no residencial. A síndica na gestão 2008/2009, e atual diretora do condomínio, e que declarou que os cães soltos não passam de vira-latas inofensivos, chegou a ficar, pessoalmente, na principal entrada de acesso ao Jardins, barrando os treieiros e até mesmo moradores que queriam ir para suas casas em suas motos. Com essa atitude arbitrária, ela foi parar na delegacia de polícia e o condomínio sofreu um processo judicial, no qual foi condenado.
Essa questão dos cães é mais prejudicial ao meio ambiente e às pessoas do que a questão dos treieiros. Os moradores e proprietários que mantém cães soltos estão entre os que sempre foram contra o trânsito das motos de trail, mas não se importam, não ligam a mínima em deixar seus animais soltos, incomodando, prejudicando o meio ambiente e colocando em risco a integridade física das pessoas, como era quando as motos de trail transitavam na região. 

Cabe ressaltar, que os cães não são culpados, mas, sim, os proprietários que não adotam a posse responsável, desrespeitando e prejudicando a comunidade, a coletividade, além de envolver também a saúde pública, já que os cães podem transmitir a raiva e doenças como a leishmaniose. Vários cães já tiveram que ser sacrificados e duas pessoas já contraíram leishmaniose no Jardins (dados de 2005 da Sec. Munic. de Vigilância Sanitária). Mas a culpa é também do condomínio e do poder público, que não estão agindo para que as leis sejam respeitadas e cumpridas.

Tentamos publicar essa informação de ocorrências de ataques de cães no site do condomínio, para ampla divulgação, mas estamos sendo impedidos, censurados. Enquanto isso, essa instituição vem aumentando sua arrecadação a cada mês (sua arrecadação anual está em torno de R$ 800.000,00 – oitocentos mil – fonte: balancetes de 2012), e a região do Jardins, que não possui licenciamento ambiental, a cada dia tem o número de obras e construções aumentado, e cães sendo introduzidos de forma irresponsável no sensível ecossistema local.  







Crédito das fotos : Luís Lemos

 “A responsabilidade civil decorre da prática de atos ilícitos, decorrentes de uma ação ou omissão, nos termos do art. 927 do Código Civil. Compete ao síndico, diante da evidência de práticas que possam prejudicar o meio ambiente, tomar as medidas cabíveis, sob pena do condomínio vir a responder perante aos órgãos públicos, em especial junto ao Ministério Público. Caso o síndico não tome as devidas providências poderá haver demandas contra o condomínio, que acabará por afetar o bolso dos demais condôminos que serão penalizados com multas aplicadas pelo Poder Público.” (Kênio Pereira – advogado)

(¹) O estupro da criança, segundo informações que tivemos, foi em um menino (sexo masculino) de nove anos, e ocorreu no mês de março desse ano. Após o ocorrido, houve um debate na sede do condomínio sobre o assunto, promovido pelo Conselho Tutelar de Nova Lima

(²) Crime de prevaricação - Conceito e objetividade jurídica: Art. 319 do Cód. Penal: "Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoaI”. Prevaricação é, na lição de Magalhães Noronha 3, infidelidade ao dever de ofício, à função exercida. É a não realização de conduta obrigatória, através de não cumprimento, retardamento ou concretização contra a lei, com a destinação específica de atender a sentimento ou interesse próprio. O objeto jurídico tutelado é o bom funcionamento da atividade pública, a qual não pode compactuar com o proceder do funcionário que deixa de lado seus deveres, para satisfazer seu próprio interesse. Tutela-se o interesse da administração pública. (Fonte: http://www.dantaspimentel.adv.br/jcdp5118.htm acesso em 22/09/2012)

Links de vídeos de cães soltos: